terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O BRINCAR E A REALIDADE

Ano passado fui a uma peça no Teatro Café Pequeno no Leblon que falava sobre o humor, mais precisamente o mau humor, era um monólogo onde a atriz interagia o tempo todo com o público brincando, usando do humor, fazendo perguntas sobre o que nos deixa de mau humor. Uns falaram fila de banco, pessoas que não falam bom dia. Era o último dia do espetáculo, no final teria um debate com um psicanalista convidado para discutir com a plateia sobre o humor mas justamente neste dia ele não foi e ela perguntou se havia algum psicanalista. Eu como adoro aparecer rs, sou aquela tímida que adora que todos me notem, acho que escolher a dança do ventre tem haver, fazer com que os olhos voltem para mim rs, ah se eu for em uma festa e não olharem para mim rs, respondi que eu era psicanalista mas na hora recalquei sobre o assunto e não quis debater para não falar nenhuma "besteira" rs. Mas venho pensando muito no humor, no riso. Na clínica não só com crianças, porque existe um folclore que o brincar se dê só na clínica delas, porque devemos sempre lembrar que o inconsciente é infantil. Ontem recebi um texto da minha analista justamente sobre esta questão. O que fazemos o tempo todo nos atendimentos é oferecer o brinquedo. Winnicott diz no livro "A criança e seu mundo" que o brincar entra para aliviar a angústia, o humor seria o brincar do adulto. Na análise é preciso que o analista permita fazer dela um playground como dizia Freud em seus textos sobre o chiste e o humor. O brincar é algo de intermediário entre a criança e a mãe, o humor estaria entre realidade e doença. Com o humor podemos lidar com a dor de uma forma digamos menos dolorida. É preciso oferecer o brinquedo, vejo isso na clínica, quando deixamos o inconsciente livre para brincar, muitas vezes surgem algo no inconsciente do analista com determinado paciente, seja um filme, um livro, quem sabe até mesmo um personagem do conto de fadas e porque não oferecer ao analisando o brinquedinho e ver se ele quer brincar. E viva o humor, sem humor a vida seria muito sem graça, séria demais. Alguém quer brincar comigo? rs. Que tal um jogo? Xadrez por exemplo rs, que passei a gostar rs. Topa? rs

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