Sempre costumo falar para minha professora de dança que a semana para mim começa terça, dançar é renovar as energias. Todas as mulheres deveriam fazer dança do ventre, não vou dizer que é fácil, considero uma segunda análise. Ir no analista é algo duro, você se dar conta que não é outro que é responsável por suas atitudes. A dança do ventre é se redescobrir mulher, entrar em contato com o feminino. Deve ser por isso que enquanto Charis tenho algo de magnetismo. Quanto mudei desde que comecei a dançar, minha professora que o diga rs. Psiquismo e dança andam lado a lado, as barreiras ao dançar tem tudo haver com o psicológico, vejo isso na análise, talvez por ser psicanalista consiga "enxergar" melhor certas dificuldades da Charis. É legal pensar o que Chris empresta para a Charis e vice - versa. Como na análise muita das vezes é no finalzinho que o mais importante escapa, na dança também. Vi isso terça, às vezes uma aula curta dura mais que uma aula longa. Percebi isso quando minha professora falou para eu fazer a parte da minha coreografia que tem a ondulação farida e ela falou para que eu me olhasse no espelho. Enrolei.... para chegar onde queria rs: o estádio do espelho. A criança para se constituir como sujeito em um primeiro momento passa pela alienação, a mãe, o seio faz parte dela, é como se fossem uma só, ela não se reconhece, se vendo como um corpo fragmentado e não unificado, só quando consegue se ver separado do objeto (seio) que será possível se constituir como sujeito. Me senti na fase do espelho onde sem a mãe do ventre, do olhar da mãe se torna difícil me reconhecer no espelho e encarar nos meus olhos, é preciso iludir para depois desiludir, essa é a mãe suficientemente boa, que percebe a hora de mostrar para seu bebê que ele pode caminhar sozinho. Foi fundamental essa desilusão na aula para eu pensar e ver. Quem é a Charis? Qual imagem ela projeta no espelho? Que características peculiares ela tem? Será que a Charis é linda?
A partir de agora só a Charis poderá descobrir o poder que tem, só se encarando nos olhos poderá se descobrir. O olhar que buscamos na dança é o olhar desse Outro, que o tempo todo nos aprova e nos reprova. É preciso saber encarar o público. UM OLHAR FALA MAIS QUE MIL PALAVRAS, E COMO FALA!!!!!!!
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