terça-feira, 30 de março de 2010

O QUE OS OLHOS NÃO VÊEM

Às vezes ando afastada do blog, outras escrevo logo vários textos. Ontem um fato me chamou à atenção e fez eu refletir sobre como as pessoas não sabem lidar com o real. Estava voltando da supervisão da PUC e peguei um ônibus em frente a ABBR e impressionante como os ônibus não estão preparados para receber os portadores de necessidades especiais, fiquei indignada. O trocador acionou para o elevador descer, e com isso a mãe com seu filho poder usufruir do meio de transporte, e acreditem se quiser, além de demorar o ônibus não funcionou mais, e todos tiveram que descer, é triste, porque parece que para se ter uma deficiência em nosso país tem que ter uma condição financeira privilegiada e poder andar de táxi para cima e para baixo, talvez porque ande meio abalada esses dias fiquei com vontade de chorar diante da situação, mudamos de ônibus e fui falar com o trocador para ajudar, ele me ignorou e depois que o ônibus andou veio me perguntar o que era, como é difícil lidar com esta questão. Lembrando que com a qualidade de vida, hoje se vive muito mais anos que antigamente e precisamos adaptar as necessidades desta população que vem crescendo muito. O que é ter uma deficiência? Se partirmos do principio que todos temos uma deficiência seria mais fácil enxergarmos os outros. Eu por exemplo sou míope, sem minhas lentes de contato enxergo super mal. A deficiência nos dá a idéia de algo que nos paralisa, o psiquismo é deficiente se pararmos para pensar que somos movidos pelo inconsciente mas é a consciência que nos guia, como o cego precisa do cão - guia. Quando fiz faculdade de arquitetura só depois de algum tempo que passaram a exigir nos projetos banheiros para portadores de necessidades especiais, cada período se fazia um projeto : casa, escola, clube, museu, torre, hotel, diversos projetos, época boa... Mas fui estudar este assunto mais a fundo quando fiz pós em design de interiores, onde o conforto ambiental era um tema bastante explorado, como ter uma casa adaptada para os idosos, por exemplo, e aprendi muito, até ia fazer mestrado no Proarq em conforto ambiental mas não passei, hoje vejo que isso permitiu que eu fizesse minha faculdade de psicologia. É preciso olharmos para o ser humano, vendo que todos nós temos limitações sejam físicas ou emocionais e deixar de lado o preconceito, que nada mais é que um pré conceito de algo que não procuramos conceituar antes de queremos definir, julgar. Afinal de contas ninguém está livre de um dia precisar de uma cadeira de rodas por exemplo. E vamos seguir adiante como nos diz o título de uma novela que retrata o cotidiano de uma menina, jovem, portadora de necessidades especiais. Vamos simplesmente "VIVER A VIDA".

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