quarta-feira, 26 de maio de 2010

DANÇAR

Cada aula de dança do ventre é um aprendizado. A dança faz o tempo todo tentarmos superar limites e acho que carregamos isso para todos os setores de nossa vida. É interessante como o corpo aos poucos vai criando uma consciência corporal que é diferente da consciência que conhecemos, diria que tem mais haver com o inconsciente. Um filósofo que fala bem disso que conheci através de um curso que fiz em uma escola de psicanálise: É José Gil. Ele fala que é preciso "Abrir o corpo", confesso que preciso me familiarizar com certos conceitos próprios dele antes de começar a entendê - lo, estudarei mais em outro momento. Mas o que fiquei pensando como o corpo responde a determinado exercício, se você não utiliza um determinado movimento é como se ele "enferrujasse". Nosso corpo se constitui a partir de um Outro, com os primeiros cuidados onde mãe, vai dando contorno a este corpo. Depois vêm o estádio do espelho onde vamos reconhecendo a nossa imagem no espelho, não é uma imagem real, mesmo porque já houve marcas de um terceiro. Seria o feto o corpo real? Boa pergunta... Criamos o corpo simbólico e o imaginário. O que vemos no espelho é o nosso imaginário sobre o corpo. Até começarmos a ter todos os movimentos é um longo caminho, no início somos moles, aos poucos vamos conseguindo sentar, engatinhar, enfim, até podermos andar, não nascemos andando. Com a dança é a mesma coisa, não nascemos "andando". Na aula minha professora falou para eu fazer certos movimentos sentada, levantando um lado depois o outro do quadril e o corpo reconhece melhor e vemos os "defeitos" no movimento, e senti que não levanto tanto quanto gostaria, que estava usando o pé e o joelho para ajudar inconscientemente. Na dança estamos o tempo todo adquirindo consciência corporal e tendo que driblar o inconsciente dos movimentos. Freud dizia que a pulsão está entre o psiquismo e o somático, somos seres pulsionais, logo corpo faz parte do psiquismo e as histéricas da época de Freud que paralisavam perna, ficavam cegas, o corpo responde. Na dança venho percebendo que minha melhora tem haver com o quanto ando na análise, certos movimentos dizem muito de mim. Venho trabalhando que valor eu tenho, sei que isso vai aparecer na dança de alguma forma. Muitas coisas estou podendo enxergar, não basta amar a dança, é preciso mergulhar nela, sentir. Vi que ainda não consegui me sentir "dançando". Outro dia, quer dizer sábado fez eu pensar em algo que minha professora disse uma vez, nem sei se ela lembra, porque me marcou. Ela estava dançando a coreografia para eu filmar e estudar e ela quando acabou estava suada e cansada e eu pensei e disse que não fico suada, e ela falou que ela colocou toda energia dela e que nos shows fica cansada, mas é um cansaço diferente, gostoso. E sábado fui em uma festa e me desliguei por completo e fiquei dançando entregue a música, que é uma música que gosto, esqueci quem canta, mas é a música das "Esquiletes" do filme do "Alvim" e acabei fiquei suada e cansada e nessa hora percebi o que ela queria dizer, porque ninguém ficou aparentemente cansada e logo eu que sou a bailarina rs. Todos deveriam dançar, muitos dançam em festa e até bem, mas a alma da bailarina é diferente ao dançar, é como se ela pertencesse a dança mas que todos, ou melhor que entendesse a dança. Poucas pessoas vivem e sentem o que é dançar, é meio "Alice no país das maravilhas" no sentido de que ela vive intensamente aquele sonho, aquele mundo. AMO DANÇAR!!!!!

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