Impressionante como a aula de quinta mexeu comigo, em todos os aspectos. Nós sabemos que a bailarina faz aula o tempo todo olhando no espelho, prestando atenção aos seus movimentos, corrigindo com o olhar da mestra, mas quando deparamos que o espelho conhecido de todos é ingrato, o quanto a realidade é dura. Minha professora vive insistindo para me filmar durante a aula para que eu possa ver como estou dançando. Acho que nunca levei à sério, talvez "medo" de enxergar o que não queria, porque ao nos ver no vídeo enxergamos nós bailarinas da realidade, lógico que a realidade nunca é in natura, há uma distorção... A realidade é encoberta pela fantasia que é o que criamos o tempo todo em relação a nós e aos outros. Queria postar sobre isso mas fiquei enrolando, me desculpando que estava cansada, que o texto não ficaria bom, mas acredito que tudo que escrevemos com o coração fica bom, se tocamos quem está lendo é porque deixamos a emoção passar, como na dança. Cheguei em casa neste dia e fui baixar o vídeo, não conseguia, dizia que tinha que baixar o Quick, baixei, ficou sem som, uma droga, com uma imagem meio desfocada, mas pensando pelo lado da psicanálise, desfocado tem tudo haver. Quando vi o vídeo é como se tivesse enxergando pela primeira vez, como se tivesse passado a vida sem óculos e ao colocar consigo ver melhor as qualidades e defeitos dos objetos, como uma imagem digital que veio para ficar, você nesta imagem enxerga até o furinho do bolo, é como se fizesse parte da cena. Vi, revi e vivi vários sentimentos: angústia, achei engraçado, tristeza, coragem. Foram tantos que nem sei nomear e engraçado que pensei na minha vida de uma forma geral... Aí tomei meu café e fui atender, antes fiquei andando no shopping e parei para tomar outro café. Uma sensação estranha, de tristeza junto com realidade, esperança. E fiquei prestando atenção a minha volta e que quase todos os caras me olhavam e fiquei pensando: "Vai todo mundo ficar me olhando!!!!! Não consigo nem dançar direito!!!!!!!. Depois ao voltar para casa continuei sentindo isso. Na sexta fui absorvendo melhor a idéia e fiquei o dia todo pensando na pós, claro, nos intervalos rs, que posso sempre superar os obstáculos e resolvi fazer disso um motivo para crescer e treinar muito. Venci a barreira de não deixar ser filmada, a partir de agora quero ser filmada. E fui à noite para meu encontro de poesia e continuei vivendo a sensação de que posso conquistar tudo que eu quiser e ao chegar em casa e ver um video que minha professora deixou da Ju Marconato fez eu chorar, pensar... Que a dança é do coração, da alma, mas o que mais me marcou foi: não devemos nos comparar com ninguém, que fulana tem menos tempo e dança melhor, que a bailarina tal é linda e querer ser igual a ela, que a bailarina X é feia, porque enquanto fazemos isso perdemos tempo em não olharmos para nós. Hoje vejo que chamo à atenção dos homens na rua, não porque sou a mais bela, mas porque carrego comigo o feminino, a dança do ventre, sou bailarina, sou Deusa, sou Charis. Nunca serei uma Saida, Renata Lobo, por exemplo, não de dançar bem, porque acredito que um dia dançarei bem, mas porque cada um é cada um, sou a Charis, só posso dançar como Charis e só eu mesma tenho dentro de mim com muito treino, dedicação e análise a capacidade de colocar o melhor que tenho dentro de mim na dança, só eu posso descobrir minha dança, que é única. Nunca vou esquecer este dia: 06/05/10. Ficou para sempre na minha memória.
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