quarta-feira, 31 de março de 2010

IMPROVISO

Resolvi escrever esta hora, acreditam? Quando falamos ou escrevemos colocamos nossa angústia para fora e estou super angustiada com vontade de chorar, não de desistir, quem me conhece sabe que não desisto fácil das coisas e vi o quanto na dança a cada dia temos que superar obstáculos. Experiência é relativo porque cada vez queremos subir mais um degrau e vejo que estou chegando em um momento da dança onde preciso caminhar com minhas próprias pernas e como isso é difícil. O bebê para se constituir ele precisa do Outro que vai no primeiro momento iludir, onde bebê e mãe são a mesma pessoa, mas em um segundo momento é preciso desiludir e como está sendo difícil isso para mim. Estava elaborando a sequência para amanhã e fiquei perdida, vejo que não tem haver com os movimentos, mas dá um bloqueio, um certo medo de voar, sim podemos voar enquanto bailarinas e vi que o que minha professora falou na aula passada, que tenho que começar a improvisar para crescer tem razão. Fiquei desesperada, deve ser o bloqueio dos 2 anos chegando rs, mas também decidi que a partir de hoje todos os dias vou improvisar um pouco, vai ser difícil enfrentar os obstáculos internos para chegar mais a frente, são muitos: insegurança, medo de errar ou não seria medo de acertar rs, usar minha criatividade, cobrar menos de mim, não ficar me comparando, que sentir é diferente de executar os movimentos, e sim demonstrar emoção, chorar, me admirar, ufa. São muitas coisas mas chego lá, com muita determinação. Sei que tenho uma bailarina talentosa dentro de mim, pronta para sair do casulo e voar. Acho que não é à toa que quero fazer tatuagem de borboleta né? E quando olho para trás vejo o quanto cresci, começando pela minha aparência. Não vou desistir, a dança faz parte da minha vida desde que me entendo por gente. Não vivo sem a dança. Obrigada por tudo minha querida professora... O que você falou na aula passada fez eu abrir os olhos, que quem fica parada não evolui.

SE VOCÊ ERROU

Se você errou
Se você errou,
peça desculpas...
É difícil perdoar?
Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo diga...
É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...
Mas, com certeza, nada é impossível...
(Cecília Meireles)

LUA ADVERSA

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
(Cecília Meireles)

Tem horas que faltas as palavras e a poesia vêm para isso, no lugar do que não pode ser dito a poesia diz.