quinta-feira, 1 de abril de 2010

IMPRO VISO

Como sempre cada aula me toca de uma forma e venho no caminho para casa pensando... E vi o quanto é difícil improvisar porque requer sair do conhecido e se libertar. Hoje na hora da coreografia vi que consigo montar a sequência, que era puro medo. Talvez por ter ido com uma certa angustia fez com que mergulhasse mais na proposta da aula. Senti muito calor e frio, dois pólos extremos. No início da aula com as brincadeiras no ritmo fiz eu ver que preciso me deixar levar pela brincadeira, o brincar não pertence só as crianças, o adulto precisa explorar este lado para com isso criar, inovar e até mesmo permitir se conhecer. Através da brincadeira colocamos nossas angústias para fora. A aula começou com diversas sensações: calor, batimentos cardíacos acelerados, suor, alívio e terminou com: frio, batimentos cardíacos lentos, relaxamento, sensação de dever cumprido. Mas nenhum está separado, depois do calor não vêm o frio e sim é algo contínuo, onde precisa - se dos 2, é como os oito, que são infinitos... Vi que estava desesperada à toa, mas foi algo que me motivou e fez eu pensar em ir em busca e me cobrar menos. Meu próximo desafio será me apresentar no meu niver. Acho que será o momento que estarei me sentindo mais bailarina e poderei colocar em prática esses dois pólos: calor e frio. Um não vive sem o outro. Aos poucos o bailarino vai tomando consciência do corpo.
"Consciência do corpo significa assim uma espécie de avesso da intencionalidade. Por exemplo, não se tem consciência do corpo como se tem de um objeto percepcionado. Aqui, toda a consciência não é consciência de, o objeto não surge "em carne e osso" diante do sujeito; pelo contrário, a consciência do corpo é a impregnação da consciência pelo corpo. Numa série de casos bem - conhecidos, desde a experiência do bailarino que sente a energia fluir através dos membros e os movimentos da consciência a acompanhá - los, até os estados vegetativos... a consciência aparece como um "meio" ou "atmosfera" susceptível de ser invadida, captada, ocupada por texturas finíssimas que a obscurecem e que vêm dos movimentos do corpo".
(José Gil)