domingo, 25 de abril de 2010

LEITURA DE POESIA


Estou super animada com o novo grupo de estudos que vou começar sobre leitura de poesia. E começando por Clarice Lispector que é uma escritora intensa. Sou apaixonada por psicanálise e arte e poder unir as duas será um sonho. A poesia nos captura, ela está no objeto "a", é inapreensível, indizível. Ela chega antes da palavra. Estou ansiosa em poder fazer parte deste grupo. Poesia é sentir, é entrarmos em contato com os sentimentos mais profundos antes mesmo das palavras, é emoção, amor, encanto.


Escolhi este quadro pelo título, acho sugestivo. "A leitora" de Jean - Honoré Fragonard.

CHARIS

É muito engraçado como a arte mexe com a gente, cada um é tocado de uma forma, e ao ver a peça "Claríssima" me senti tocada enquanto "personagem". Clarice em seus personagens era ela. Diria que justamente os personagens falam mais dela do que a sua realidade, é este mundo de criação, de inconsciente que fala de nós. Enquanto personagem ela era "protegida", poderia ser quem quisesse e muitas vezes tornar consciente estes "personagens" não é fácil. Vejo que enquanto Charis sou poderosa, linda, tenho um corpo perfeito, seduzo, diria até intocável, Deusa. Enquanto Chris fico com medo de mostrar este meu lado Charis. Vejo que quando estou um pouco Charis, seja uma simples pulseira da Charis crio mais força, mais brilho. Mas Charis e Chris são as mesmas pessoas e porque não colocar em prática um pouco da Charis na Chris. Nosso imaginário diz mais de nós do que nossa realidade, é o nosso desconhecido, nosso inconsciente. A CHRIS É MAIS CHARIS DO QUE PENSA!!!!!! Bom material para minha análise esta semana rs.

CLARÍSSIMA

Hoje resolvi assistir o último dia da peça "Claríssima" no Teatro Contemporâneo que se situa em Botafogo. A peça retratava o mundo imaginário e da realidade da escritora Clarice Lispector. Talvez por ser um teatro contemporâneo é como se fizéssemos parte do cenário, não sei se intencional mas senti como parte do mundo imaginário de Clarice, éramos seus personagens, criação sua. Hora os atores se misturavam ao público, hora o público se misturava a eles. Um cenário simples mas enriquecedor como é toda sua obra. Tinha uma escrivaninha, cadeiras, sua máquina de escrever, lixeira e papéis amassados como rascunhos a serem jogados no lixo. Rascunhos necessários para a criação "perfeita" da arte, é a sensação que ela nos causa: de perfeição. Não tem como a peça não mexer com nosso mundo imaginário. Durante a peça Clarice entra em contato com sua criação, onde os personagens vão tomando diversos rumos e eles cobrando mudanças em suas histórias. Os personagens ganham vida e entram em contato consigo mesmos e ao mesmo tempo Clarice vai se descobrindo, se conhecendo melhor. O desconhecido se torna sedutor e todos vão em busca disso, do que não conhecem de si mesmos, diria nosso inconsciente. Os personagens são seu inconsciente. E é no encontro com o outro que descobrimos quem somos e o amor.Foi isso que foi passado o tempo todo na peça, no fim os personagens que tomam rumos diferentes acabam tendo algumas coisas em comum: conhecem a si mesmo e o amor. A menina pura e seu namorado, a Ruth que deixa de ser beata e vira uma depravada. Cada um vai em busca de sua identidade. E o que nos passa e talvez a própria Clarice é que podemos ser várias Clarices. Posso ser várias Chris. A Chris psicanalista, a bailarina, a pura, a depravada. Em cada mulher cabem todas essas, porque não somos uma o tempo todo e a poesia entra no lugar do que é indizível, chega antes da palavra. Está ligado ao Objeto Perdido. Onde falta palavra entra a poesia. A arte chega antes da psicanálise, algo nos toca antes que possamos colocar sentido, palavra para expressarmos. A palavra revela e oculta ao mesmo tempo, a palavra bela carrega consigo (Brandão) "um sopro de morte" (Lacan). Lacan ainda nos fala "mas basta escutar a poesia... para que se faça ouvir uma polifonia e se veja que todo o discurso se alinha nas várias pautas de uma partitura".
SOU VÁRIAS CHRIS!!!!!!
"O indizível só me poderá ser dado através do fracasso de minha linguagem. Só quando falha a construção, é que obtenho o que ela não conseguiu." (in A Paixão Segundo GH. 176 - Clarice Lispector)