quarta-feira, 19 de maio de 2010

NIVER DA CRIS

Ficou marcada na minha memória uma vez que ela me escreveu que só não somos irmãs rs, porque ela é Cris sem h rs. Uma vez falei para ela que quando penso nela me vem na cabeça a imagem da personagem do filme "Bonequinha de luxo", não sei ao certo porque rs. A história não tem haver com ela, acho que o jeito meigo dessa personagem. A Cris é um doce de pessoa, que faz questão de frisar que é uma mulher agora de 40 anos, que não leva desaforo e sabe muito bem o que quer, e como sabe, em muitas situações é até meio "rebelde". "Não vou tirar xerox". (Sic). Fizemos faculdade de psicologia juntas mas acho que o que nos uniu mais foi o grupo de estudos quase todos os sábados sobre Freud e Lacan rs, que ela não gosta muito rs, mas conseguiu permanecer bastante tempo no grupo. Hoje em dia estamos mais unidas, sempre vejo as relações como sendo uma troca. Miller vai dizer que o amor só é válido se a pessoa faz enxergarmos coisas de nós mesmas e a amizade é uma forma de amor. Estamos em um momento onde uma está aprendendo com a outra e temos os mesmos objetivos. Escolhemos fazer a mesma pós: psicologia clínica com crianças. Estamos mergulhadas em um mundo novo, não no sentido de nunca termos visto, mas porque estamos aderindo a outros teóricos, em especial da escola inglesa, o quanto contribuíram. Toda sexta nos encontramos, aliás segundas também, acabei arrastando a Cris para a mesma supervisão. O caminho é longo, mas quem disse que é preciso pressa para chegarmos ao sucesso? Estamos remando devagar. O seu projeto com crianças é lindo. Tudo que é feito com amor tem resultados positivos. Continue sendo essa pessoa linda por dentro e por fora.

CHRISTINA´S WORLD


Ontem ao deparar pelo mundo do google algo me chamou atenção, fiquei capturada pelo título de uma tela: Christina´s World. Meu nome é Maria Christina, meu Christina é com ch. Li em um livro do Nasio, que é um psicanalista que gosto por criar uma teoria própria em cima de teóricos, não ao certo nova, mas com outras leituras, pelo menos é assim que eu o vejo e acho que para lê - lo devemos ter lido bastante Freud e Lacan para não ficarmos presos a conceitos próprios dele e sim podermos questionar frente a nossa clínica através da nossa leitura. E ao ler o livro: "O olhar em psicanálise", acho que é este o título, porque não estou com o livro perto, mas o fato é que retrata sobre a questão do olhar, não no sentido que conhecemos, o olhar está para além da visão, o olhar da psicanálise tem algo de fascinação, está no objeto "a", aquilo que é inapreensível e fui fascinada pelo quadro e não nego que o que me capturou foi a princípio a figura feminina pintada ter o meu nome. E como tudo está no campo tem haver com o que hoje iria estudar na Escola de psicanálise: Melancolia. A autora que vimos foi a Lambotte que vai retratar a melancolia como sendo uma quarta estrutura e não inserida na psicose como foi denominado por Lacan, na minha experiência clínica também vejo a melancolia como uma outra estrutura. O sujeito se identifica com o nada, um vazio. Uma negação diante da pulsão de vida. Ainda que tenha havido um desamparo em algum momento se deu investimento. Este quadro foi pintado por Andrew Wyeth em 1948 na época do Realismo, onde tantos outros pintores pintaram um realismo baseado na melancolia, como muitos sabem minha primeira formação foi em arquitetura e urbanismo, sempre amei as aulas de história da arte. Seria a psicanálise uma arte? Já que a arte é criação, é o encontro com o quadro e a pessoa e cada um será tomado por uma sensação. Freud mesmo diz, não sei ao certo como é a frase que a poesia chegou antes dele. A arte primeiro impacta para depois poder ser falada dela. Christina é uma moça que está em um pastagem, meio queimada pelo sol, sem o verde vivo das folhagens, como se olhasse para o infinito, paralisada, tendo no final algumas casas. Minha leitura seria mais de um momento melancólico que da melancolia enquanto estrutura. Em quantos momentos não nos deparamos sendo Christina, sem ação, se achando um nada. "Oh céus, oh vida, oh azar". A melancolia paralisa, é como se olhássemos para o horizonte e só víssemos pastagem. A casa que representa vida, alguém mora lá, tivesse tão longe que não pudesse ir de encontro. Para o melancólico fazer laço é algo complicado. Algo na sua constituição se deu que fez com que escapasse de um autismo. Melancolia é um tema que muito se tem escrito, desde a medicina que se tenta nomear o que é, na psicanálise várias vertentes foram criadas em relação ao tema. Fiquei pensando na importância da arte para o melancólico, como entrada de um terceiro que não o questionará, simplesmente pintará seu quadro, sem questões.