sábado, 5 de junho de 2010

PESO DE UM SIGNIFICANTE

Antes mesmo de nascermos já somos nomeados por alguém que escolhem nosso nome, até mesmo idealizam nossa profissão, e como somos movidos pelo inconsciente não tem como escapar da cadeia significante. Vejo o quanto certos significantes são carregados pelo resto de nossas vidas e só com a análise podemos dar sentidos diferentes para eles. Venho pensando muito nas 2 coisas que amo: psicanálise e dança. Ninguém escolhe algo à toa, como não escolhi arquitetura como primeira faculdade por acaso. E parando para pensar sempre escolhi profissões ligadas a arte. A arte está ligada a estética, amava as aulas de história da arte, lembro que minha mãe sempre foi ligada em arte, adorava colecionar sobre pintores, lembro de um em especial que ela amava: Miró. Ele utiliza em sua obra muitas cores, desenhos quase infantis, talvez tenha haver com ela... Sempre colecionou revistas de decoração e cresci gostando disso e a arquitetura também foi escolhida por influência do meu pai, talvez não direta... E enquanto pequena amava o ballet, meu sonho sempre foi ser bailarina mas que tudo, e hoje vejo que é um peso que carrego dentro de mim eternamente... Talvez por isso tenha uma cobrança exagerada quanto à dança. Lembro que comecei fazendo ballet moderno, mas na verdade meu sonho era o ballet clássico, como toda menina sonhava dançar de "tutu", mas vivia ouvindo que era desajeitada para fazer ballet, que era melhor continuar no ballet moderno, porque o ballet clássico exige mais coordenação e eu não conseguiria. Mas até que mesmo falando tudo isso minha mãe resolveu me mudar para o ballet clássico, minha mãe já fez ballet clássico como toda menina na infância, talvez remetesse a questões dela. Enfim me esforcei ao máximo e coloquei todo meu empenho e dedicação, hoje lembrei do quanto penei porque até uns tempos atrás só via o progresso, e me comparando com a minha evolução na dança do ventre. Tive algumas professoras que reclamavam da minha postura, das minhas molduras de braço, mas com amor ao longo dos anos fui me aprimorando e me tornei uma das melhores alunas de minha professora. Era certo para ela e quem me via que havia nascido para isso, que não sairia do ballet. Levei muito tempo para ter flexibilidade, fazer um "grandeca", não sei ao certo como se escreve rs, mas nunca desisti, respirava dança 24h. Quem não lembra do filme: "Flashdance", amava este filme. Lembro que as aulas aconteciam 3x na semana: chão, barra e solo. O ballet de uma certa forma era uma ligação minha com minha mãe. Ela me levava nos ensaios, lembro das horas que passava para fazer o coque, aquele coque impecável com gumex rs, que não poderia estar um fio fora do lugar e a maquiagem. Mas acabei saindo do ballet quando comecei a estudar de manhã, fiquei super mal mas não reclamei, fiquei calada... Até nas brincadeiras brincava de ballet com as bonecas, eu era a professora e ensinava a elas a fazer pirueta segurando a ponta do cabelo rs. Mas o que me marcou foi o significante que carrego até hoje da minha professora: VOCÊ SERÁ A PRIMEIRA BAILARINA DO MUNICIPAL e foi difícil conviver com isso. A primeira bailarina é perfeita, não pode ser uma boa bailarina, tem que ser a melhor. Ainda bem que pude voltar a dançar, me cobro de SER ESSA PRIMEIRA BAILARINA, que ocupa meu imaginário e acabo cobrando muito de mim. Sempre cobrei muito de mim na dança. Estou tentando cobrar menos, mas é difícil... Para crescer preciso sentir e não punir. A maioria das pessoas que conheço na dança do ventre não começaram a amar a dança ainda pequena e pensaram: Serei bailarina! Talvez isso as ajudem a relaxar. Eu cresci com a certeza que seria bailarina, tinha cara, corpo de bailarina. Todos viviam falando isso. Quero pode relaxar para dançar. AMO DANÇAR!!!!!!!